Tajani repete discurso em SP e ignora protesto sobre cidadania
Vice-premiê italiano Tajani discursa em São Paulo, recebe carta de protesto do Comites-SP contra reforma da cidadania e não comenta o tema.

O vice-primeiro-ministro e chanceler italiano, Antonio Tajani, discursou no Circolo Italiano de São Paulo na noite de 9 de setembro de 2026, durante missão oficial e empresarial pela América do Sul. Diante de lideranças da comunidade ítalo-brasileira, Tajani recebeu uma carta de protesto contra a reforma da cidadania italiana, mas evitou qualquer comentário público sobre o tema, segundo a Insieme.
O que aconteceu no Circolo Italiano
Tajani chegou a São Paulo como parte de uma agenda que combina compromissos diplomáticos e empresariais pela América do Sul. No Circolo Italiano, tradicional espaço de encontro da coletividade italiana na cidade, o chanceler discursou para uma plateia de autoridades consulares, empresários e representantes de entidades associativas.
De acordo com a Insieme, o discurso reproduziu praticamente o mesmo tom de uma visita anterior de Tajani a São Paulo, há dois anos: exaltação das raízes italianas, do sentimento de pertencimento e do papel histórico dos italianos e seus descendentes no exterior. Não houve, contudo, qualquer menção direta à reforma da cidadania italiana, tema que desde 2025 mobiliza a comunidade ítalo-brasileira e é acompanhado de perto por quem busca o reconhecimento da cidadania por descendência. Para acompanhar o desdobramento de temas como esse, o portal mantém cobertura constante em Notícias da Itália.
A ausência de referência ao assunto chamou atenção justamente por ocorrer em um evento oficial, num momento em que as mudanças promovidas pelo chamado Decreto Tajani seguem gerando debate jurídico e político tanto na Itália quanto entre descendentes espalhados pelo mundo.
O protesto dos conselheiros do Comites-SP
Ainda segundo a Insieme, cinco conselheiros do Comites-SP (Comitê dos Italianos no Exterior de São Paulo) aproveitaram a presença de Tajani no Circolo Italiano para entregar-lhe pessoalmente uma carta de protesto contra a reforma da cidadania italiana. O documento expressa a insatisfação de parte da coletividade com as restrições impostas pelas novas regras, que alteraram significativamente o acesso à cidadania por descendência.
Relatos de participantes citados pela Insieme indicam que Tajani recebeu o documento das mãos dos conselheiros, mas não fez qualquer manifestação pública sobre seu conteúdo, nem durante a entrega nem no restante de sua fala. O silêncio do chanceler diante do protesto foi um dos pontos mais comentados pelos presentes ao evento, que esperavam ao menos um aceno ou uma resposta institucional sobre as críticas formalizadas pelos conselheiros eleitos da comunidade.
O episódio reforça uma percepção já presente entre entidades da coletividade: a de que as autoridades italianas têm evitado se posicionar publicamente sobre as reações negativas à reforma, mesmo quando confrontadas diretamente em eventos oficiais no exterior.
Por que o episódio importa para descendentes no Brasil
O protesto entregue a Tajani em São Paulo não é um gesto isolado. Ele reflete a preocupação de milhares de brasileiros descendentes de italianos que tiveram seu acesso à Cidadania Italiana diretamente afetado pelas mudanças promovidas pelo Decreto Tajani (DL 36/2025, convertido na Lei 74/2025), que restringiu o reconhecimento por via judicial e extinguiu, em grande parte dos casos, as antigas possibilidades de reconhecimento no comune ou no consulado para gerações mais distantes.
Para essa parcela da comunidade, o silêncio de uma autoridade do escalão de Tajani sobre um tema que envolve diretamente a vida e os planos de milhões de descendentes no exterior soa como um sinal de que o governo italiano não pretende, no curto prazo, rever ou suavizar os termos da reforma. A ausência de qualquer aceno durante um evento simbólico como o do Circolo Italiano — palco histórico de encontros entre autoridades italianas e a coletividade em São Paulo — reforça a sensação de distanciamento entre Roma e parte da diáspora.
O tema segue sendo acompanhado de perto também por quem já vive ou pretende viver na Itália, já que as regras de cidadania têm impacto direto sobre residência, documentação e planejamento familiar. Mais contexto sobre esses desdobramentos pode ser encontrado na seção Vida na Itália do portal.
Entidades como o Comites-SP têm papel formal de representação da coletividade italiana perante o governo da Itália, e episódios como a entrega da carta de protesto tendem a ser usados como registro histórico da resistência de parte da comunidade às mudanças. Resta saber se, em próximas visitas ou pronunciamentos, Tajani ou outros representantes do governo italiano finalmente endereçarão publicamente as críticas que vêm sendo formalizadas por conselheiros eleitos em diferentes países.
A passagem de Tajani por São Paulo, marcada pela repetição de um discurso genérico sobre pertencimento e pela omissão diante de um protesto formal, ilustra um contraste que vem se tornando recorrente: de um lado, o discurso oficial de valorização dos laços com a diáspora; de outro, o silêncio diante das consequências práticas da reforma da cidadania para essa mesma diáspora.
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Fonte: Insieme





